terça-feira, 14 de abril de 2009

* Diretor, produtor executivo e roteirista

* Eu tenho um problema. Na verdade, vários, mas o problema em questão é que eu quero sempre transformar acontecimentos convencionais em eventos cinematográficos, aquela velha história de "ter coisas pra contar". Mas isso cansa. E me deixa desapontado, quando eu não consigo (momento comum pacas). Hoje em dia me pego gostando cada vez menos dos documentários, pulando de cabeça num mundo ficções, de aventuras. De cabeça mesmo. Os coadjuvantes vem e vão, e eu gosto muito de contracenar. Uns vem e nem se vão. Ficam por aí, até que surja uma nova cena para eles estrelarem. É, passei a encarar os dias como se fossem cenas, as horas como se fossem takes, os momentos como se fossem quadros. E não é tão legal quanto parece. Já já explico o porquê.

* É que assim eu acabo deixando passar despercebidos momentos não-cinematográficos, mas que, nem por isso deixam de ser bonitos. Pra quê ficar forçando? Um simples beijo é substituído por um amasso na mais torrencial das chuvas, numa parada de ônibus aleatória na Av. Paulista. Um pedido de desculpas vira um EP. Enfim, é uma pressão infinita, pra extrair de todo e qualquer momento o mais intenso dos sentimentos. Cansativo. Suspeito que isso seja culpa das músicas, da abordagem que eu uso nos meus relatos, desse super-realismo-exagerado.

* Mas, mesmo assim, eu continuo. Firme e forte. Diretor, produtor executivo e roteirista do filme da minha própria vida. Nada mais justo (e rentável) do que dar a ele um andamento coeso, e cativante. Procuro sempre ser cativante. E isso também cansa.* Mesmo reclamando de tudo isso, prefiro permanecer assim. Prefiro distribuir VUADÊRAS e PONTA-PÉS por aí, trajando um belíssimo calção PERUSSO do que ser coadjuvante de uma história que está totalmente fora do meu controle, um mero espectador, ausente, impotente. Posso não controlar, mas quero protagonizar isso tudo, de cabo a rabo. E ninguém vai tirar de mim esse papel, afinal, O FILME É MEU, POMBAS.

* Me encontro em um momento de recomeço. Reborn. Meu filme foi documentário por muito tempo. Chega.

* Hoje sou ficção. E prefiro permanecer assim, protagonizando um filme sem fim, dirigindo coadjuvantes aleatórios e invariavelmente RICOS, COMPLEXOS, PROFUNDOS.

* É. Eu cresci. E te perdendo eu cresci tanto que hoje tenho certeza de que não quero mais te encontrar.

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quarta-feira, 8 de abril de 2009

*Ego, plástico bolha e sinceridade


Geralmente, quando as pessoas nos dizem um "eu não te amo", costumamos, por instinto mesmo, nos esforçar o dobro pra que a falta de amor do outro se transforme em uma paixão forte e ardente, capaz de qualquer coisa.
Muitas vezes não fazemos isso pelo fato de querermos que essa pessoa realmente nos ame no sentido 'casal' da palavra, na maioria das vezes, e arrisco até a dizer que 98% delas, nós queremos mesmo é satisfazer o nosso ego. Ele não aceita um "eu não amo você" ou um "eu só te quero como amiga(o)", nos conduzindo a fazer das tripas coração, a fazer de um tudo, pra que essa pessoa passe a sentir algo, por menor que seja, ou até, muitas vezes, vencida pelo cansaço, fingir um amor inexistente.
É aí que mora o perigo, o dizer que ama sem sentir amor. Sem sentir vontade de ver, de estar, de sentir, de tocar. Ouvir que se é amado da boca pra fora sempre dói bem mais do que uma ferida no ego. Dói pra caramba, e 1000 vezes mais porque nos iludimos, ficamos sonhando com aquilo horas e horas a fio, sonhando com uma mentira, com uma realidade que não é a nossa.
Hoje, olhando pro meu passado e carregando na bagagem três namorados, vejo que, dois deles foram um amor 'plástico bolha', tivemos uma vida monótona com algumas pequenas explosões de felicidade, mas que, no final, tornou-se descartável, sem utilidade nem reaproveitamento algum.
Mas, tenho a convicção que, o um dos três fez o certo comigo, mesmo meu ego só tendo aceitado isso agora. Ele não mentiu, não enganou. Me falou que não me amava e que não sentia o coração bater mais forte nem a respiração parar quando me via. Ele disse o quanto tentou, o quanto se esforçou pra se apaixonar por mim, mas em nenhum momento ele me iludiu, foi sincero, comigo e com ele.
É disso que eu falo, sinceridade.
Por mais difícil que às vezes seja, tanto falar quanto ouvir, a verdade sempre faz as coisas durarem mais. Melhor escutar e mais fácil aceitá-la, do que ficarmos presos a insensatez do ego. Olho pra trás e vejo quem realmente foi sincero, e agradeço.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sabe aquelas horas que você tá cansado de ouvir sempre as mesmas aulas, de estar sempre nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas e fazendo, incrivelmente, as mesmas coisas?

É exatamente assim que eu me sinto aqui, e agora.

Finalmente, em longo período, vou sair desse fuzuê, e lembrar só do estress, do estudo, da lembrança frequente do passado e da responsabilidade com as coisas na segunda feira, que é quando volto à rotina.

Não que eu não goste de ficar ocupada, não que eu não goste de lembrar de coisas e alimentar sonhos antigos, muito menos de ter responsabilidade! Mas é que as vezes, e você a de concordar comigo, a gente precisa esquecer dessas coisas! Nem que seja por um curto espaço de tempo.

Vou viajar, vou pra minha cazinha de praia, onde tudo é calminho e so se ouve saguins e passaros, vou levar livros e cadernos, lerei e farei anotações, algumas contas, pra não perder o costume...Vou sair com minha família! Coisa rara hoje em dia, já que meus pais não gostam de sair e eu e meu irmão frequentamos locais totalmente diferentes. Comerei ovos de chocolate e verei a lua nascer. Vou aproveitar. Por mim e por você :).



Beijos e bom feriado!

domingo, 5 de abril de 2009

* O que é que o teu reflexo diz?



* O que seu espelho mostra pra você, quando você está de frente pra ele? O que é que você diz de você mesmo, do que você faz, do que você fez, do que você pensa? Seria possível tamanho distanciamento de si mesmo, a ponto de tecermos uma auto-avaliação que não seja contaminada pela nossa vaidade?


* O que tenho descoberto é que, a cada dia que passa, nós, que acreditamos em nós mesmos, vemos no reflexo algo cada vez mais parecido com o que sonhamos. Que fique claro que não me refiro, aqui, à imagem física, às aparências e às enganosas armadilhas que essas nos colocam pelo caminho. Eu falo de sonhos, e de objetivos, que nada mais são do que sonhos dos quais a gente realmente está correndo atrás. Eu falo de missões que a gente dá a si mesmo. Estamos cumprindo? Estamos, ao menos, tentando cumprí-las? Será que a gente sabe qual é a nossa missão aqui?


* O espelho pode nos dizer isso melhor do que ninguém. Estou cansado de gente que não consegue olhar nos olhos, pura e simplesmente por não saber que é atrás dos olhos que se encontra a nossa alma, nosso verdadeiro ser. Essas pessoas não conseguem nem olhar nos seus próprios olhos, pois sabem que vão ver o que não querem, mas sabem o que é. Sabem que estão em débito para consigo mesmos, e não se demonstram interessados em saldar essas dívidas.


* Falando assim, posso parecer feito de certezas, quando, na verdade, não passo de um homem cheio de dúvidas. Mas são essas dúvidas que me guiam atrás de respostas. E o que eu digo aqui, eu aprendi durante essas buscas infindáveis. Quantas vezes acabei encontrando uma pergunta ainda mais inquietante, quando tudo o que eu queria era uma resposta curta e certeira. Não há. Nunca houve. Algumas delas o espelho me conta, quanto a outras, me dá somente dicas confusas. E tem também aquelas que são tão complicadas que eu nem sei por onde começar a perguntar. E é por não ter respostas para tudo que eu acabo escrevendo pra mim mesmo essas perguntas. Um dia eu vou saber responder. E vou escrever na minha alma, para que todos leiam por detrás dos meus olhos.

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